8. É amor que não acaba mais

 Agora Mary passava quase todo tempo em casa. Justamente ela, que gostava mais de festa do que a irmã..! Mas não era a mais velha, a "de maior"... - desprezava Mary. Não podia mais ver sua prima Dana..! A mãe de Mary não gostava de Dana, mas como confiava na filha, não importava que andasse com a sobrinha "desajustada". Mas decerto não permitiria que ela andasse somente com Mary.

Foi socializando em companhia da irmã e prima que Mary conheceu João. O melhor amigo de Antonio, que nunca largava Dana. É a dinâmica da vida nas pequenas cidades. Ela se apaixonou pelo mocinho lindo e carinha de anjo rebelde. Na inocência de adolescente tímida, tinha certeza que era amor. E após um ano de comedida paquera, aceitou emocionada o pedido de namoro de João.

Nesses dias de semi confinamento, no ócio das férias, dedicava-se a escrever carinhas decoradas e bilhetes fofinhos para João. Trabalhava desde então em uma carta de um quilômetro de comprimento, com a qual pretendia presentear o amado no primeiro aniversário de namoro.

Exceto na companhia dele, Mary nunca fazia questão de sair. Achava-se sortuda de ser namorada de um dos meninos mais bonitos e desejados da cidade. Toda vez que ele se apresentava com Antonio, Mary notava a quantidade de garotas que exibiam-se na primeira fila. Esforçavam-se também pela atenção de Antonio, mas esse era olhos apenas para a própria namorada.

Um olhar que ele só tinha quando Dana estava por perto - Mary sempre notou.

Era um olhar que derramava admiração.

Ela sabia que João não sentia-se do mesmo jeito por ela. Antes, devia ser ela própria quem mais demonstrava esse sentimento por João. Mas Mary sabia que era simplesmente o jeito dele, mais reservado por fora, mas gentil e sensível na intimidade. Ela botava fé nisso.

Ia lembrando de seu sorriso meigo e seu jeito sensual de fazer música...Sentia o corpo todo reagir à lembrança do toque do namorado. A beleza e a profundidade de seus olhos cheios de mistério.

Sorria sem parar e sem notar, enquanto anexava mais um pedaço da carta gigante ao rolo. Sentiu vontade de ligar para ele, mas não sabia o que dizer. Continuou pintando corações e escrevendo poesias para seu primeiro amor, ansiosa pela segunda feira, para poder vê-lo novamente na escola.

Antonio considerava-se feliz com Dana. Não gostava dos excessos de rebeldia e bebedeira dela, mas sabia que era uma boa garota. Seus pais eram muito religiosos; seu pai era pastor de uma popular igreja protestante local, e ela não gostava de envergonhá-los, mas o desejo de viver intensamente parecia maior, e muitas vezes Dana e seus pais entravam em conflito.

Antonio via e amava essa ousadia de Dana, de ser como ela era, e achava que sabia valorizar a garota por aquilo. Por outro lado, Dana às vezes era impulsiva demais e era impossível detê-la. Quando bebia, por exemplo. Ela bebia demais para uma adolescente. Não era do tipo bêbada chata e nem terminava a noite abraçando a privada, mas Dana bebia pra xuxu.

-Quando você for famoso, vou fazer turnês pelo mundo com você! - Dana sorria.

-Claro que sim ! - Antonio sonhava com ela. Achava divertido ouvir as descrições glamourosas que Dana fazia sobre o futuro musical de Antonio. Ele tinha orgulho de até onde tinha levado o sucesso de sua dupla com João. Conseguiram alcançar boa fama local, mas o que era fama em uma cidade cuja população não chegava a lotar um estádio de futebol? Ele também tinha sonhos maiores do que a cidadezinha onde cresceram. Também achava que a música poderia levá-lo para conhecer o mundo, e sentia que poderia já estar nesse caminho. Apenas não reconhecia a estrada...ainda.

Será que Dana estaria mesmo ao seu lado?

Esta era toda a sua dúvida.

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