10. Eu sei que te amo
Tiveram um almoço farto e saboroso no restaurante da área VIP do festival. Foram muito bem recepcionados pela produção e pelos outros artistas. Tomás e Marcos foram circular pelas áreas do público, queriam curtir o eventual assédio dos fãs e encarar o rodeio mecânico logo depois de comer….
A programação diurna do festival estava chegando ao fim, e a área de backstages estava praticamente esvaziada, mais de duas horas antes do início das atividades no palco noturno. Justamente pela tranquilidade e privacidade, Antonio e Dana resolveram voltar (meio às escondidas) para o camarim privativo reservado à banda .
Assim que certificou-se que estavam sozinhos, Dana precipitou-se a beijar Antonio com todo seu corpo. Ela estava totalmente rendida àquele impulso animal, mas sabia que não devia ceder.
-Toni, eu estou superafim… Mas hoje, não. - ela corrigiu - Aqui, não.
-Você tem razão - ele contrariou os instintos. -É por isso que eu te amo tanto.
Antonio olhava para ela meio atordoado. Dana estava séria, sóbria, um tom de voz decidido e honesto.
-Sei que meus pais são gente boa, e não mereciam sentir culpa por terem falhado comigo...Eles não entendem que sou humana e que às vezes faço escolhas infelizes, mas não sou um demônio…
Ela estendeu a mão para Antonio, sem contudo tocá-lo.
-Você sempre me amou como eu sou. Sempre confiou em mim e eu sempre me entreguei inteira pra você, do meu melhor ao meu pior...e você sempre ali, pronto pra dizer que me ama…
Antonio tremia, com a mão na de Dana. Começou a sentir uma sombra de medo que aquele papo tomasse um tom ainda mais sombrio. Mas Dana aproximou seu rosto do dele, beijou-o e agradeceu com uma declaração.
-Eu amo você. Obrigada por todo seu amor.
Abraçaram-se e assim ficaram, aconchegados em um sofá onde adormeceram.
Pouco mais de uma hora havia se passado, quando Dana acordou suando frio e com dores. Tomou o máximo de cuidado ao desvencilhar-se do abraço, mas não conseguiu escapar sem ser notada. Antonio segurou seu braço e sorriu.
-Vai fugir, é?
-Vou. Quero montar minha câmera e deixar tudo pronto para quando vocês estiverem no palco.
-Ainda faltam umas duas horas..!
-Mas quero circular pelo povo e ver se encontro uns conhecidos para fotografar.
-Dana…
-Eu prometo, juro que vou deixar a parte boa da festa pra depois do show, tá?
-Não demore. Quero ver você antes do show.
Dana mandou um beijo e saiu apressadamente do camarim. Já havia bastante gente circulando pela área. Antes de vazar pelos portões de emergência, Dana pegou um folheto com a programação do festival e um mapa dos arredores. Deu uma rápida olhada, escolheu uma direção e saiu.
Mais tarde, Antonio entrou um pouco nervoso no palco. Antes de subir, reuniu-se com seus amigos e colegas de banda para desejar um bom show e agradecer de antemão o trabalho de todos aqueles meses de ensaio e concentração que antecederam aquele momento.
-Que seja o primeiro de muitos! - Tomás previu, animado.
-Quer seja! - Concordou Marcos, com uma expressão confiante.
-Nascemos para isso. - assegurou João, acenando para umas desconhecidas moçoilas , sensualmente vestidas à porta do camarim.
-Tem alguma coisa que vocês precisam..? - Antônio deu a deixa que todos entenderam com um sorriso, e lançaram-se em cena, arrancando gritos da platéia.
Quando a banda subiu ao palco, seus integrantes tiveram a certeza de que nunca haviam tocado para um público tão grande. O lugar estava repleto e permaneceu animado durante todo o setlist. Músicas conhecidas, trazidas da carreira de João e Antonio como dupla, foram cantadas em coro. Gestos e
aplausos coroaram as faixas novas, e a platéia foi à loucura com o cover de
“Evidências” de Chitãozinho e Xororó.
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