11. Pacta sunt servanda

 Já fazia tempo que a cortina havia se fechado, e as pessoas deixavam o local do festival. Um segurança aproximou-se de Antonio e entregou-lhe uma bolsa preta.

-Sr. Antonio Cristiano? - indagou o brutamontes

-Sou eu.

-Um rapaz me pediu para lhe entregar isso aqui.

Era a câmera de Dana.

-Obrigado. Onde..? - Antonio estava perplexo - Onde está a dona dessa bolsa?

-Não sei. - respondeu o segurança. - Quem me entregou foi um rapaz. Alto, loiro, bem magro. Não tinha nenhuma moça com ele.

-Você pode trazê-lo aqui, por favor?

-Posso tentar encontrá-lo, se ainda não foi embora…

-Por favor. - Antonio tentou segurar seu nervosismo, para não ser rude.

Abriu a bolsa. A câmera e os acessórios estavam todos ali. Inclusive a credencial de imprensa de Dana. Antonio ligou a câmera, pôs-se a conferir as imagens. Haviam takes muito bons do público e do palco, cenas realmente muito bem registradas, mas nenhuma pista sobre se teria sido Dana quem captou aquelas imagens. Ela não cumprira com a promessa de aparecer no backstage antes do show, tampouco estava lá agora que o festival estava encerrado.

Antonio sentiu vontade de chorar.

O segurança voltaria, mais de uma hora depois, dizendo que não encontrou o moço que lhe entregou a câmera. Dana apareceu um pouco antes do amanhecer. Suja, com as roupas úmidas, cabelo desgrenhado. Ao cruzar seu olhar com o de Antonio, não aguentou e desfez-se em lágrimas. Ele a abraçou também com os olhos molhados e sem saber o que dizer.

O sumiço e o reaparecimento de Dana, naquele estado, criara um “climão” entre a banda, que fez toda a viagem de volta em silêncio.

-Uma amiga me contou que a viram correndo que nem louca para fora da fazenda. Parecia que estava cantando e gritando alto…- comentou João, ao pé de ouvido com Tomás.

-Bebedeira só, não faz isso… - observou o baterista.

-Será que a Dana tá usando droga?

-Sei lá, acho que a gente acabaria sabendo...Ela nunca teve pudor de assumir essas coisas. Me preocupo é com o Antonio…

Na parte da frente da van, Dana ia adormecida nos braços de Antonio. Ele ajeita o cabelo dela, protegendo seu rosto do sol matinal. Ainda não haviam conversado. Ele não havia tido coragem de perguntar o que acontecera.

Nem antes, talvez nunca.

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